Suicídio no campo: a crise silenciosa de saúde mental causada por agrotóxicos

Quando se fala em agrotóxicos, a mente do público geralmente se volta para o câncer, mas a pesquisa de Larissa Bombardi expõe uma crise invisível e igualmente devastadora: o impacto direto da exposição a pesticidas na saúde mental da população rural.

O artigo de opinião co-escrito pela pesquisadora na Folha de S.Paulo trata o tema como uma “emergência silenciosa” no Brasil, com potencial para causar graves doenças neuropsiquiátricas, incluindo disfunções cognitivas e motoras. Os efeitos crônicos da exposição a certos agrotóxicos, como os organofosforados, não apenas levam ao aumento de ansiedade e depressão, mas estão associados, de forma dramática, aos altos índices de suicídio entre agricultores e agricultoras.

Essa tragédia é quantificada nos dados do Atlas: entre 2007 e 2014, o Brasil registrou oficialmente 1.186 mortes por intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola, o que equivale a uma morte a cada dois dias e meio. Além disso, estados como Paraná, São Paulo e Minas Gerais tiveram cerca de 40% das intoxicações notificadas classificadas como tentativas de suicídio.  

Estes números mostram que o problema vai além da produção de commodities; ele atinge a dignidade e o direito fundamental à vida. Falar de agrotóxicos, como aponta Bombardi, é falar de direitos humanos e de um projeto de nação que escolheu sacrificar a saúde de sua população mais vulnerável em nome de um modelo agrícola quimicamente dependente. A luta urgente é para que essa violência invisível seja reconhecida e combatida como uma crise de saúde pública nacional.