Onde o agrotóxico ataca mais: o mapa de uso e o custo humano no brasil

A pesquisa de Larissa Bombardi transforma o problema dos agrotóxicos em uma crise geográfica e visual. Por meio do Atlas, é possível mapear exatamente onde o veneno está sendo despejado com mais intensidade no Brasil, e quem está pagando o custo humano.  

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e os dados de volume e intensidade comprovam a desigualdade de sacrifício dentro do próprio país:

  1. Concentração de Volume: A região Centro-Oeste (liderada por Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul) domina o consumo absoluto, somando mais de 334 mil toneladas anuais. O estado de Mato Grosso sozinho é o maior consumidor absoluto do país, com 191 mil toneladas, refletindo a intensa monocultura de commodities como a soja.  
  2. Intensidade e Risco: O indicador mais alarmante é a intensidade de uso (kg/hectare de área agrícola). O Centro-Oeste aplica em média 16,14 kg de ingrediente ativo por hectare, a maior taxa do país, tornando o risco de contaminação por área muito mais alto.  
  3. A Crise de Intoxicação: A intensidade do uso reflete-se na saúde. Entre 2007 e 2014, o Atlas contabilizou mais de 25 mil intoxicações notificadas por agrotóxicos de uso agrícola no país, com a pesquisadora alertando que pode haver 50 casos não notificados para cada caso oficial. Os estados com maior número de casos são Paraná, São Paulo e Minas Gerais.  

Os dados do Atlas são irrefutáveis: o Brasil não apenas permite o consumo de agrotóxicos proibidos na Europa, mas concentra essa toxicidade em regiões-chave para a exportação. O mapeamento geográfico é a arma mais poderosa para dar visibilidade a essa violência e exigir a responsabilização das empresas.